sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Graffiti: arte ou poluição visual?

Quantas vezes nos cruzámos com prédios entregues ao abandono, cujas paredes nos fazem sorrir?

Estou a falar de graffiti, pichações, gatafunhos nas paredes... Arte?

Graffiti vem do italiano, plural de graffito. Não é mais do que o nome dado às inscrições feitas em paredes desde o Império Romano. Embora visto, durante muito tempo, como irrelevante, mera contravenção, "gritos de revolta" ou mesmo inconveniente, hoje em dia, o graffiti é já aceite e reconhecido como forma de expressão no âmbito das artes visuais. Uma arte urbana que cresce e muda a cidade,transforma espaços públicos e interage com as pessoas. Porém, o graffiti ainda é, muitas vezes, confundido com pichação e, desta forma, ilegal em alguns países quando levado a cabo sem autorização. 


  Mas em que diferem um do outro? A pichação é muito mais simples, mais básica, por vezes mais não é do que gatafunhos aleatórios e revoltados. Já os graffiti têm uma elaboração mais complexa, embora muitos grafiteiros assumam ter começado pela pichação.

"A partir do movimento contracultural de maio de 1968, quando os muros de Paris foram suporte para inscrições de caráter poético-político, a prática do grafite generalizou-se pelo mundo, em diferentes contextos, tipos e estilos, que vão do simples rabisco ou de tags repetidas ad nauseam, como uma espécie de demarcação de território, até grandes murais executados em espaços especialmente designados para tal, ganhando status de verdadeiras obras de arte. Os grafites podem também estar associados a diferentes movimentos e tribos urbanas, como o hip-hop, e a variados graus de transgressão" (wikipédia)

Jean-Michel Basquiat é, talvez, dos artistas mais significativos do final do século XX. Neo-expressionista, começou por chamar a atenção da imprensa novaiorquina, na década de 1970, precisamente pelas mensagens poéticas que deixava, usando o graffiti, nos prédios de Manhattan.


Controversos ou não, a verdade é que os graffiti já fazem parte do quotidiano português. Mais tarde que em outros países, já encontramos iniciativas patrocinadas que levam a cabo projectos desta ordem em vários pontos do país.
Um exemplo disso é a ilha de São Miguel, nos Açores, que acolhe, todos os anos, o Festival Walk & Talk. Dezenas de artistas, oriundos de vários locais, juntam-se para uma experiência onde a arte pública nasce da partilha criativa, sem esquecer a envolvência com a natureza, a cultura e a comunidade local.

Outro exemplo é o Projecto Graffitis D'Olhão, responsáveis pelos graffiti das fotos que aqui mostrei. Este projecto junta vários jovens, de Olhão, preocupados em tornar a cidade mais bonita através do que melhor sabem fazer: graffiti.

Aqui deixei apenas uma introdução à grande reportagem que pode ser feita. Fiquem atentos e desfrutem da arte urbana que pode estar bem mais perto do que imaginam... 


 

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